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Artigo técnico

Ágar TSA (triptona de soja): para que serve, composição e como preparar

Equipe técnica Sora Scientific · · 8 min de leitura

Placas de Petri tampadas com ágar TSA amarelo-claro e colônias jovens de bactérias de cores e tamanhos variados, meio de cultura de uso geral

O ágar TSA (ágar triptona de soja, também chamado ágar caseína-soja) é um meio de cultura sólido de uso geral e não seletivo: não traz inibidores e sustenta o crescimento de ampla variedade de bactérias e fungos. Na rotina, ele serve para a contagem total de aeróbios em produtos farmacêuticos (USP <61> e Ph. Eur. 2.6.12), para o monitoramento ambiental, como meio de referência na promoção de crescimento, para isolar e repicar cepas e como base de ágar sangue. O Ágar Triptona de Soja (TSA) da Sora é fornecido desidratado e, segundo a ficha técnica, é reconstituído a 40 g/L, com pH final de 7,3 ± 0,2 a 25 °C.

A seguir: a função de cada ingrediente, o preparo, as aplicações com as normas que as sustentam, a diferença entre TSA, TSB e ágar nutriente e o que a ficha declara no controle de qualidade.

O que é o meio de cultura TSA

O TSA é o meio que nas farmacopeias aparece como Soybean-Casein Digest Agar (SCDA). Os nomes variam conforme o fornecedor e a norma (TSA, ágar caseína-soja, ágar casoy), mas a formulação de base é a mesma: digesto de caseína, digesto de soja, cloreto de sódio e ágar.

Ser não seletivo significa que o meio não favorece nem inibe nenhum grupo de propósito. É isso que o torna útil para contar "tudo o que cresce" numa amostra, e é também o seu limite. A ficha da Sora registra três limitações:

  • cepas com exigências nutricionais específicas podem crescer pouco ou não crescer;
  • por ser de uso geral, o meio pode não sustentar microrganismos exigentes;
  • a identificação exige provas bioquímicas e sorológicas complementares.

Composição do ágar triptona de soja e função de cada ingrediente

A ficha técnica do TSA da Sora declara esta composição por litro:

Ingredienteg/LFunção
Triptona (digesto pancreático de caseína)15,0Fonte de nitrogênio, aminoácidos e peptídeos
Peptona de soja5,0Complementa a triptona com aminoácidos e peptídeos de cadeia longa
Cloreto de sódio5,0Mantém o equilíbrio osmótico; com sangue, evita a lise dos eritrócitos
Ágar15,0Agente solidificante

A combinação das duas peptonas é o que dá ao meio o caráter nutritivo. A ausência de agentes seletivos permite usá-lo como meio de comparação e como base para enriquecimento.

Como preparar o ágar TSA

O preparo segue a ficha técnica do produto:

  1. Suspenda 40 g em 1.000 mL de água destilada ou purificada.
  2. Aqueça até a ebulição para dissolver completamente o meio.
  3. Esterilize em autoclave a 121 °C (15 lb/pol²) por 15 minutos.
  4. Para ágar sangue, resfrie a 45–50 °C e adicione assepticamente 5% v/v de sangue desfibrinado.
  5. Homogeneíze e distribua em placas de Petri estéreis.

Um frasco de 500 g rende 12,5 L de meio. O pó é conservado abaixo de 30 °C e o meio preparado, entre 2 e 8 °C. Os erros que mais derrubam um lote (pesagem, água, dissolução incompleta, superaquecimento, pH) estão no guia como preparar meio de cultura desidratado, que usa o próprio TSA como exemplo.

Para que serve o ágar TSA: principais aplicações

Contagem total de aeróbios em farmacêuticos (USP <61> e Ph. Eur. 2.6.12)

Nos ensaios de enumeração microbiana de produtos não estéreis, a contagem total de microrganismos aeróbios (TAMC) é o número de UFC obtidas em ágar caseína-soja. O texto harmonizado define que, se colônias de fungos aparecerem nesse meio, elas entram na TAMC. No método de semeadura em profundidade, as placas são incubadas a 30–35 °C por 3 a 5 dias. Bolores e leveduras (TYMC) são contados à parte, em ágar Sabouraud dextrose.

Na promoção de crescimento do ágar caseína-soja, o capítulo indica Staphylococcus aureus ATCC 6538, Pseudomonas aeruginosa ATCC 9027 e Bacillus subtilis ATCC 6633 a 30–35 °C por até 3 dias, além de Candida albicans ATCC 10231 e Aspergillus brasiliensis ATCC 16404 por até 5 dias, sempre com inóculo de no máximo 100 UFC. Veja a seleção de meios para farmacêutico e esterilidade.

Na microbiologia de cosméticos, a contagem de bactérias mesófilas aeróbias tem norma própria, a ISO 21149:2017; confira nela o meio e as condições de incubação exigidos. Os meios para essa rotina estão na seleção para a indústria cosmética.

Monitoramento ambiental de áreas limpas

A USP <1116>, que trata do controle e do monitoramento microbiológico de ambientes de processamento asséptico, considera um meio de crescimento geral como o de caseína-soja adequado para a maior parte do monitoramento. O capítulo admite suplementá-lo com aditivos que superem ou reduzam o efeito de sanitizantes e de antibióticos residuais, e descreve placas de contato, para superfícies planas, e placas de sedimentação, expostas ao ar.

O ponto crítico é o resíduo de desinfetante: sem neutralização, uma superfície recém-sanitizada pode dar zero UFC por inibição, e não por limpeza. A eficácia do neutralizante precisa ser demonstrada com os sanitizantes do seu programa.

Meio de referência na promoção de crescimento (ISO 11133)

Na ISO 11133, a produtividade de um meio sólido de contagem é expressa pela razão de produtividade (PR), calculada contra um meio de referência não seletivo, e a norma cita o ágar triptona de soja como exemplo. A ISO 4833-1, por exemplo, exige PR ≥ 0,7 do ágar padrão para contagem (PCA) frente ao TSA. O procedimento completo está no guia do teste de promoção de crescimento em meios de cultura.

Base para ágar sangue

Com 5% v/v de sangue desfibrinado, o TSA vira ágar sangue: a ficha descreve o meio pronto como vermelho-cereja e opaco e atribui ao cloreto de sódio a proteção dos eritrócitos, o que permite ler zonas de hemólise bem definidas. Temperatura de adição, escolha do sangue e leitura da hemólise estão no guia como preparar ágar sangue. Outra opção do catálogo é o Ágar Base Sangue, fornecido sem sangue.

Duas placas de Petri tampadas, uma de ágar TSA amarelo-claro e outra vermelho-cereja com sangue desfibrinado, base TSA para ágar sangue

Isolamento, repique e manutenção de cepas

Por não ser seletivo, o TSA é um meio prático para purificar colônias, conferir a pureza de culturas e preparar culturas de trabalho. Na rotina farmacopeica, a USP <61> limita as culturas de trabalho a no máximo cinco passagens a partir do lote-semente original. Veja os meios de cultivo, enriquecimento e manutenção.

TSA, TSB e ágar nutriente: qual a diferença

A diferença principal entre TSA e TSB é o estado físico: o TSA é sólido, para contar e isolar colônias; o Caldo Triptona de Soja (TSB) é líquido, para enriquecer, recuperar e detectar crescimento. As fórmulas também não são idênticas, como mostram as fichas da Sora:

MeioComposição (g/L)ReconstituiçãopH finalUso típico
TSATriptona 15; peptona de soja 5; NaCl 5; ágar 1540 g/L7,3 ± 0,2Contagem total, isolamento, referência, base de ágar sangue
TSBDigesto pancreático de caseína 17; digesto papaínico de soja 3; NaCl 5; fosfato dipotássico 2,5; dextrose 2,530 g/L7,3 ± 0,2Ensaio de esterilidade, enriquecimento, cultivo em caldo
Ágar nutrienteDigesto péptico de tecido animal 5; extrato de carne 1,5; extrato de levedura 1,5; NaCl 5; ágar 1528 g/L7,4 ± 0,2Cultivo de microrganismos pouco exigentes

O TSB traz dextrose como fonte de carboidrato e fosfato dipotássico como tampão, ingredientes que o TSA não tem. No ensaio de esterilidade (USP <71>), o meio exigido é o caldo caseína-soja, ao lado do meio fluido de tioglicolato; o passo a passo está no guia do teste de esterilidade.

Placa de ágar TSA com colônias ao lado de tubos tampados de caldo TSB, um límpido e outro turvo, comparação entre TSA e TSB

O Ágar Nutriente é mais pobre em peptonas e se destina, segundo a ficha, a microrganismos pouco exigentes. Quando o método pede ágar caseína-soja, não troque um pelo outro: a farmacopeia especifica o meio, e qualquer substituição exige demonstrar desempenho equivalente.

Variantes com neutralizantes

Para superfícies sanitizadas, o mercado usa versões de TSA com neutralizantes, em geral lecitina e polissorbato 80. A Sora não tem TSA com neutralizante no catálogo. O meio com neutralizantes da linha é o Ágar Letheen, de base diferente (hidrolisado de caseína e extrato de carne), com lecitina 1 g/L e polissorbato 80 7 g/L. A ficha declara sua aplicação na determinação do coeficiente fenólico de compostos de amônio quaternário e explica o princípio: a lecitina neutraliza quaternários de amônio; o polissorbato 80 neutraliza fenóis, hexaclorofeno e formalina e, junto com a lecitina, o etanol. Qualquer uso fora dessa aplicação exige validar a neutralização com os seus sanitizantes.

Controle de qualidade: o que a ficha do TSA declara

A ficha do TSA da Sora traz duas camadas de especificação:

  • Físico-química: pó creme a amarelo-claro, homogêneo e de escoamento livre; meio pronto amarelo-claro, límpido a levemente opalescente, pH 7,3 ± 0,2; com sangue, vermelho-cereja e opaco.
  • Microbiológica: crescimento abundante de B. subtilis ATCC 6633, S. aureus ATCC 6538 e ATCC 25923 (com hemólise beta no meio com sangue), Escherichia coli ATCC 25922 e ATCC 8739, P. aeruginosa ATCC 9027 e ATCC 27853, Salmonella Typhimurium ATCC 14028, Enterococcus faecalis ATCC 29212 e C. albicans ATCC 10231, entre outras cepas; A. brasiliensis ATCC 16404 com crescimento bom a abundante. A incubação é de 30–35 °C por 18–24 h para bactérias e por até 5 dias para fungos.

A Sora emite certificado de análise por lote, depois do envase. Esses dados orientam a escolha das cepas, mas o lote que você reidrata e esteriliza é um lote novo e precisa ser liberado pelo seu laboratório, com o critério da norma do seu ensaio.

Próximo passo

Se a sua rotina inclui contagem total, promoção de crescimento ou ágar sangue, consulte a ficha técnica do TSA, com composição, preparo e controle microbiológico publicados, ou percorra o catálogo de meios de cultura. Para escolher entre TSA, TSB e ágar nutriente no seu método, fale com a equipe técnica da Sora.

Perguntas frequentes

Para que serve o ágar TSA?

O ágar TSA é um meio sólido de uso geral, não seletivo, usado para contagem total de aeróbios, monitoramento ambiental, promoção de crescimento, isolamento e repique de cepas. Com 5% de sangue desfibrinado, serve também de base para ágar sangue.

Qual a diferença entre TSA e TSB?

O TSA é sólido e serve para contar e isolar colônias; o TSB é o caldo, usado em enriquecimento e no ensaio de esterilidade. As fórmulas também diferem: o TSB tem dextrose e fosfato dipotássico e não tem ágar.

O ágar TSA é seletivo?

Não. O TSA não contém inibidores e sustenta ampla variedade de bactérias e fungos. Por isso não identifica microrganismos: a identificação exige provas bioquímicas e sorológicas.

Qual a temperatura de incubação do TSA na USP <61>?

Na contagem total de aeróbios por semeadura em profundidade, as placas de ágar caseína-soja são incubadas a 30–35 °C por 3 a 5 dias. Colônias de fungos que crescerem no meio entram na contagem total.

Posso preparar ágar sangue com base TSA?

Sim. Resfrie o TSA esterilizado a 45–50 °C e adicione assepticamente 5% v/v de sangue desfibrinado, como indica a ficha. O meio pronto fica vermelho-cereja e opaco, e o cloreto de sódio protege os eritrócitos.

Referências bibliográficas e normas técnicas

  • United States Pharmacopeia. General Chapter <61> Microbiological Examination of Nonsterile Products: Microbial Enumeration Tests. USP–NF, edição vigente.
  • United States Pharmacopeia. General Chapter <71> Sterility Tests. USP–NF, edição vigente.
  • United States Pharmacopeia. General Chapter <1116> Microbiological Control and Monitoring of Aseptic Processing Environments. USP–NF, edição vigente.
  • European Pharmacopoeia. 2.6.12 Microbiological examination of non-sterile products: microbial enumeration tests. Estrasburgo: EDQM, edição vigente.
  • ISO 11133:2014. Microbiology of food, animal feed and water — Preparation, production, storage and performance testing of culture media. Genebra: International Organization for Standardization, 2014. Emendas: ISO 11133:2014/Amd 1:2018 e ISO 11133:2014/Amd 2:2020.
  • ISO 4833-1:2013. Microbiology of the food chain — Horizontal method for the enumeration of microorganisms — Part 1: Colony count at 30 °C by the pour plate technique. Genebra: International Organization for Standardization, 2013.
  • ISO 21149:2017. Cosmetics — Microbiology — Enumeration and detection of aerobic mesophilic bacteria. Genebra: International Organization for Standardization, 2017 (confirmada em 2022).
  • Sora Scientific. Fichas técnicas FT-SM-00125 (Ágar Triptona de Soja), FT-SM-00224 (Caldo Triptona de Soja), FT-SM-14829 (Ágar Nutriente), FT-SM-09720 (Ágar Padrão para Contagem), FT-SM-01321 (Ágar Base Sangue) e FT-SM-11023 (Ágar Letheen). Disponíveis em https://docs.sorascientific.com/.